Do que precisamos para viver? Alguns vão dizer que depende, outros enumerarão uma série de coisas. E os moradores de rua, quais são as suas necessidades? Nestes pouco mais de 4 meses distribuindo marmitas para eles, já são mais de 4300 marmitas entregues, quase 3 toneladas de comida; posso dizer seguramente que comida não é a prioridade deles, eles não precisam que eu as entregue. Eles, se pegarem dinheiro, comprarão muita coisa, menos comida (bebida, drogas, cigarros, etc). Toda hora tem alguém levando comida para eles, são várias igrejas, e mesmo que muitas delas façam isto uma vez por semana apenas, são muitas. Pessoas, que dissociadas de igrejas também ajudam; moradores que ao serem “incomodados” em seus portões também o fazem; restaurantes, que depois de determinado horário também distribuem as “sobras”. E então, do que eles mais precisam? Assim como nós, de Deus, tão somente DEle, nada mais, o problema deles não são as drogas, os vícios, as brigas familiares, é apenas o pecado, assim como os nossos problemas também, são eles, os pecados, que nos destroem, nos corroem e nos impõe uma vida miserável. A distância de Deus é o que nos afasta de uma vida melhor. Estamos todos perdidos, separados de Deus pela barreira do pecado. E quem nos libertará desta barreira? Apenas Jesus Cristo, que morreu por nós e nos reaproxima de Deus.
Eu espero em Deus, não estar apenas entregando o alimento para a carne, para estas pessoas, tento mostrar a eles que nem só de pão vive o homem, mas de toda Palavra de Deus, é isto que tenho feito para eles, durante estes meses, alimentando o corpo e o espírito. Que o Senhor da Glória, me dê força, ilumine meu caminho e que as Palavras Dele, sejam o motivo para que nós possamos depender somente Dele.
Hoje ao chegar a Ceilândia, para entregar as marmitas deparei me com Joana , ela chorava muito e disse estar com dor de cabeça, falou também que não havia almoçado. Comprei uma dipirona e deixei para ela, junto com uma garrafa de água mineral. Fui para outro ponto entregar mais marmitas e vi Michele encostada sozinha numa parede, longe dos demais que se encontravam usando drogas. Enquanto entregava as marmitas, ela se aproximou e pude ver que seu rosto estava inchado, perguntei o que houve, ela chegou mais perto e pude ver um grande arranhão em seu rosto, ela me disse que foi uma briga, perguntei-lhe se haviam mais ferimentos e ela me disse que a costa estava machucada também, ela pegou a marmita e se afastou mancando, foi se sentar novamente encostada na parede. Michele é bem franzina, diz ter 18 anos, mas aparenta uns 14 ou 15. Terminei de entregar as marmitas e fui em direção a ela, que se levantou e foi se encostar num carro que parou próximo, fiquei olhando e pude ver que ela estava com a marmita na mão, entrou no carro e foram embora, possivelmente se prostituir. Fiquei irado não com a situação, mas tudo isto aconteceu de frente a uma igreja, e o que me deixou irritado não foi o fato da igreja "não enxergar" aquilo, mas foi a lembrança de que há pouco eu também estava dentro de uma igreja aprendendo o evangelho, mas me esquecendo de vive-lo. Que O Senhor tenha misericórdia de nós, e abra nossos olhos para o seu Reino, para o Seu Evangelho, para que O Vivamos mais do que falamos.
