S.A.C . NOSSA MISSÃO.

o SAC é um projeto social que visa ajudar pessoas.

Venha conhecer nosso trabalho, e quem sabe, participar.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

MENOS UM NAS RUAS...

Hoje o Senhor me permitiu executar a missão integral do SAC; Um morador de rua foi levado para uma clínica de reabilitação. Rubens é morador de rua e há 08 meses usa crack, quando chegou na igreja hoje para pegar sua marmita, eu estava conversando com outro rapaz, sobre a necessidade de que ele saísse das ruas e fosse para um lugar se tratar. Rubens me perguntou se eu não arrumaria uma casa de recuperação para ele, uma vez que ele não aguentava mais esta vida. Eu disse a ele que sim, que o poderia levar naquele momento se ele quisesse, ele retrocedeu por um momento, uma vez que entendeu que era algo imediato e me perguntou se poderia entregar um trabalho que ele fizera e voltar depois (ele é artesão), eu disse a ele que sim e que estaria esperando por ele até as 20h, e caso ele não voltasse(ainda enfatizei que achava que ele não voltaria, sendo que a maioria faz isto),a então ele disse que iria entregar o trabalho e voltaria. Passado pouco mais de meia hora ele voltou, estava chorando e eu perguntei se ele estava sentindo algo, ele então respondeu que achava que estava chorando de felicidade, pela possibilidade de mudança. Como eu ainda precisava entregar algumas marmitas, conversamos muito, até que  saímos e o levei para a Cristolândia, uma clínica de Recuperação mantida pela igreja Batista. Oro a Deus para que Rubens permita ao Senhor mudar sua vida verdadeiramente, que ele deseje isto e possa se arrepender de seus pecados e ser transformado pelo Espírito de Deus.
Obrigado Senhor, por me permitir viver este momento diante da sua presença, que Seu nome seja louvado e engrandecido, Glórias a Ti ó Pai.. Obrigado Senhor, pelas pessoas que tem nos incentivado, contribuído e nos ajudado a manter este ministério. Que possamos continuar Lhe servindo, conforme a sua vontade se apresente a nós. Amém. 

domingo, 19 de janeiro de 2014

REPORTAGEM RETIRADA DO SITE UOL

Quatro usuários de crack sentados na sarjeta dividem um guarda-chuva na alameda Dino Bueno, no centro de São Paulo. Não chove, mas a função do guarda-chuva, diz um deles, é proteger o "anjo" que passa na rua.
Na linguagem dos usuários, "anjo" significa criança e, no código de conduta da região, é proibido fumar crack na frente de crianças.
"Quando uma criança passa, a gente grita: 'Olha o anjo' e todo mundo tem que abaixar o cachimbo ou se esconder atrás do guarda-chuva", conta um usuário que não quis se identificar.


FAMÍLIA CRACOLÂNDIA

"Quem tá na cracolândia já foi rejeitado pela família e pela sociedade porque usa crack. Aqui a 'família cracolândia' te recebe de braços abertos. Fora uma rixa ou outra, todo mundo aqui é irmão no sofrimento, então a gente se ajuda", diz M.P. S., 32, que vive na região há cerca de dois anos.
Na hierarquia da cracolândia, quem tinha um barraco na Dino Bueno era considerado elite. Agora vivendo em um quarto de hotel pago pela prefeitura, esse status deve continuar. As casinhas de madeira, papelão e lona mantinham alguma organização e privacidade, apesar da falta de banheiro.
A maioria dos usuários que circula na cracolândia vive na rua. Muitos têm família e passam temporadas na rua usando crack. Quando não aguentam mais as condições insalubres, voltam para casa para repor as energias até a hora de novamente mergulhar no vício.
Com o tempo, formam-se crostas de sujeira nos pés e nas mãos, que acabam funcionando como uma espécie de casca protetora.
Vivem de refeição em refeição, comem quando podem e nunca sabem quando vão comer de novo.
Quando há fartura de pedra, passam cinco dias acordados. Quando a "brisa" acaba, comem e dormem por dias. Desenvolveram anticorpos fortes para sobreviver à vida selvagem da rua.
"Como comida do lixo sempre, bebo água de poça e não fico doente. O único problema é que a pedra estraga os dentes", diz o morador de rua M.

NO GRITO
A comunicação na cracolândia é feita por meio de gritos. Alguém grita o que precisa e quem pode ajudar responde em meio à multidão de usuários. "Dou um trago" é um dos gritos mais ouvidos.
Quem não consegue completar os R$ 10 para comprar uma pedra inteira do traficante sai gritando "Dou um trago" até que algum usuário tope revender um terço ou metade de sua pedra por um valor inferior.
Na cracolândia, ouve-se o grito de "Olha a loira" sempre que um carro da polícia se aproxima.
"A primeira vez que ouvi alguém gritando 'Olha a loira' fiquei procurando uma mulher de cabelo amarelo e quase fui presa", diverte-se E., 23, enquanto fuma uma pedra na frente da câmera da TV Folha para provar que não se altera quando está "brisada" (sob efeito da droga).
"Vou dar um trago e vou ficar igualzinha eu estou agora, vocês vão ver", diz ela, descumprindo a promessa no minuto seguinte.
Outro grito constante é o de "cigarreiro", pessoa que vende cigarros avulsos. Quem é "cigarreiro" e procura clientes grita "eigth" –marca de cigarro paraguaio barato.
Antes de fumar a pedra, os usuários "fazem a cinza", que é encher o cachimbo com cinzas de cigarro para acomodar a pedra de crack. "Se depois de fumar, a parte que sobrou da pedra ficar branquinha, significa que a pedra é boa. Se ficar preta, é uma porcaria", afirma um deles.
Apesar da desconfiança habitual, há um clima positivo entre os usuários de crack hoje. A proposta da prefeitura agradou, e muitos dizem que sairão do vício. Porém, em relação à epidemia de crack, a única certeza possível é a de que não existem certezas.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

FOI UMA NOITE "PUNK"

Ontem a noite, durante a entrega das marmitas, foi bem “punk” , como gosta de dizer Rev. Airton , diante de uma situação extrema. Até a entrega na igreja foi tranquilo, mas quando fui para Ceilândia, ai a coisa começou a ficar punk. Enquanto entregava marmitas, há uns 30 metros de onde eu estava uma moça caiu no meio do asfalto, logo, vários moradores de rua correram e carregaram ela até a grama, um deles sentou e  colocou a cabeça dela em seu colo. Terminei de entregar naquele ponto e fui até lá com o carro, assim que estacionei vi o rapaz que estava coma moça deitada no colo, resmungando , mandando sair, que não tinha nada para eu ver ali, alguns deles reconheceram meu carro e falaram para ele: “calma rapa, é o irmão”. Eu então me aproximei e perguntei  se era droga e ele balançou a cabeça afirmativamente, perguntei como ela estava e ele resmungou algo e disse que tava de boa, eu disse a ele que estava indo para o hospital de Ceilândia e perguntei se ele não queria levá-la, ele disse que não e repetiu que estava de boa, então ele perguntou para ela, “tá de boa né neguinha, tem certeza? A moça estava deitada e apesar do olhos estarem fechados, havia uma movimentação intensa do seu globo ocular, parecia que ela tentava abri-los. Ela  mexia as mãos e o corpo nervosamente, como se estivesse tendo algum tipo de convulsão, mas conseguiu manear a cabeça, entendi aquilo como um sinal positivo e sai dali.

Saindo dali fui para o hospital de Ceilândia, procurar o Edson, morador de rua que fez o último cursilho e na semana passada foi baleado. Chegando lá, dei o nome dele e não encontraram no sistema, era como se ele não tivesse dado entrada no hospital, mas como eu tinha certeza, insisti e fui em mais dois lugares, onde a resposta foi a mesma; como eu estava com a camisa de serviço (gola clerical) um dos rapazes que me atendeu disse que eu poderia entrar e procurar pelos leitos, ele falou: “Pode entrar seu padre, procure a vontade”, foi uma grande peregrinação pelo hospital e seus leitos, muitas pessoas, estava super lotado, gente nova, velha, uns sóbrios, outros dopados, alguns dormindo, outros acordados, muita gente sozinha, triste, mas com certeza todos sofrendo não só por suas doenças, mas também pelo péssimo estado em que se encontravam, muitas macas pelos corredores, espalhadas, as vezes até pareciam jogados. Devo dizer que fui muito bem tratado, todos foram muito solícitos em me ajudar, mas depois de andar para todo lado, falar com muita gente, procurar em leitos, setores, dar o nome para ser procurado em listas e listas e sempre com a resposta negativa, lembrei que quando alguém entra baleado num hospital é obrigatório o preenchimento de um relatório pelo policial de plantão, e foi neste local que descobri que o Edson deu entrada no hospital  no dia 07 a 01 hora da manha, com uma perfuração a bala, e a mesma estava alojada em seu estomago, diante disto descobri o setor em que ele esteve e só então descobri que ele recebera  alta médica no dia anterior. Sai do hospital e fui procurá-lo na rua, não o encontrei, mas já obtive algumas informações de onde ele está, espero achá-lo em breve e trazer notícias a todos. Enquanto peregrinava presenciei um jovem que entrara baleado, várias perfurações, perna com fratura exposta e que perdera muito sangue, eu fiquei próximo dele por alguns minutos e pude ver a tristeza em seu olhar, pude também em função desta proximidade conversar com as pessoas que o atendiam, para depois tentar consolar a mãe (eu a encontrei enquanto conversava com o policial) que estava lá fora aos prantos, não sabia informações, não sabia o que acontecera, e só chorava. Quando saí a procurei e tentei relatar o que tinha visto, fiquei com pena dela. O rapaz, estava roubando e fora perseguido pela polícia, com quem trocou tiros. É triste, saber que alguns ali estão próximos do fim da vida, e mesmo diante desta situação, continuam afastados do Senhor, continuam a ser indiferentes para sua Palavra.  Que o Senhor tenha misericórdia de todos eles, e que eles possam ser alcançados nestes poucos momentos que lhe restam e àqueles que ainda tem alguma caminhada pela frente, que eles possam  encontrar a paz necessária para o que lhes resta, porque depois, pode não restar nada, a não ser o inferno.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

MISERICÓRDIA

Hoje eu me senti um tanto quanto desconfortável com uma situação, enquanto entregava as marmitas. Estava entregando comida na Ceilândia, ali atrás do Supermercado Tatico, onde chamamos de cracolândia; uma mulher se aproximou, de certa forma bem vestida, com uma bolsa a tiracolo e pediu uma marmita. Eu meio sem jeito entreguei, mas falei que as marmitas eram para os moradores de rua, ela perguntou e dai? Eu perguntei a ela se ela não tinha casa e ela respondeu que sim, que também tinha comida, dinheiro e saúde, e repetiu, e dai? Eu disse que aquele alimento era para pessoas que não tinham casa e ela disse que eles não tinham casa porque não queriam, que ela era muito abençoada mas queria uma também e saiu rindo. Eu devo confessar que num primeiro momento fiquei irritado, e nem sei prq não fui atrás dela e tomei a marmita, mas depois me acalmei e pedi perdão a Deus por minha atitude, e me propus a orar por aquela pessoa. Muitos acham que as pessoas que estão nas ruas são bandidos, drogados que não merecem perdão, pessoas que estão a margem da nossa sociedade e que devem ser tratados com desprezo. Eu já disse antes e reafirmo, eles são tudo isto e mais, mas não passam de pecadores como nós, pessoas que se afastaram de Deus e colhem os frutos desta distância, pessoas que não conseguem perceber que o vazio de suas vidas jamais será preenchido, enquanto não se reaproximarem de seu Criador. Esta é a única coisa que nos diferencia deles, redimidos pelo Senhor Jesus, nos reaproximamos de Deus e já não mais estamos mortos em nossos pecados. Isto não me faz melhor do que eles, mas apenas me faz desejar que eles alcancem esta mesma graça (imerecida) alcançada por muitos. Que Deus tenha misericórdia desta mulher, destas pessoas , e de mim mesmo, que Sua graça continue agindo em nossas vidas.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

FELIZ ANIVERSÁRIO

Ontem ao término do culto, na porta da igreja, o Miau me procurou. O nome verdadeiro dele é Antonio, ele é um catador de latinhas, morador de rua, usuário de drogas; ele disse que estava com fome, não tinha almoçado e me pediu um trocado para comer alguma coisa. Eu dei dinheiro para ele comer e ele feliz me disse que era seu aniversário, que aquele era um dia especial para ele, o dia 12 de Janeiro, conversamos um pouco e lhe desejei parabéns. hoje enquanto ia para a igreja entregar marmitas, passei num mercado, comprei um bolo confeitado, pratinhos, garfos plásticos e levei para ele. Imaginem a felicidade dele, quando ele veio pegar a marmita, disse que tinha um presente atrasado pelo seu aniversário e entreguei-lhe o bolo, parecia uma criança diante de um brinquedo. foi muito emocionante e agradeço a Deus por mais esta oportunidade, de servi-lo e de glorificar o nome DEle.

DE VOLTA...

Depois de um período sem entregar as marmitas, por conta da viagem para Recife, voltei às ruas hoje... não imaginava que iria encontrar alguns deles com tanta saudade. Alguns pularam de alegria ao me ver, saíram gritando pela rua, avisando aos outros e dando "glória a Deus", pela minha volta. Foi emocionante, ver que sentiram minha falta (ou melhor, das marmitas). Por outro lado tive uma notícia triste, o rapaz que foi para o cursilho em dezembro, o Edson, foi baleado, levou 3 tiros e está no hospital de Ceilândia, ainda não soube direito o que aconteceu mas peço a todos que orem por ele. Ele está na foto abaixo, é o de boné.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

DO QUE PRECISAMOS?


Do que precisamos para viver? Alguns vão dizer que depende, outros enumerarão uma série de coisas. E os moradores de rua, quais são as suas necessidades? Nestes pouco mais de 4 meses distribuindo marmitas para eles, já são mais de 4300 marmitas entregues, quase 3 toneladas de comida; posso dizer seguramente que comida não é a prioridade deles, eles não precisam que eu as entregue. Eles, se pegarem dinheiro, comprarão muita coisa, menos comida (bebida, drogas, cigarros, etc). Toda hora tem alguém levando comida para eles, são várias igrejas, e mesmo que muitas delas façam isto uma vez por semana apenas, são muitas. Pessoas, que dissociadas de igrejas também ajudam; moradores que ao serem “incomodados” em seus portões também o fazem; restaurantes, que depois de determinado horário também distribuem as “sobras”. E então, do que eles mais precisam? Assim como nós, de Deus, tão somente DEle, nada mais, o problema deles não são as drogas, os vícios, as brigas familiares, é apenas o pecado, assim como os nossos problemas também, são eles, os pecados, que nos destroem, nos corroem e nos impõe uma vida miserável. A distância de Deus é o que nos afasta de uma vida melhor. Estamos todos perdidos, separados de Deus pela barreira do pecado. E quem nos libertará desta barreira? Apenas Jesus Cristo, que morreu por nós e nos reaproxima de Deus. Eu espero em Deus, não estar apenas entregando o alimento para a carne, para estas pessoas, tento mostrar a eles que nem só de pão vive o homem, mas de toda Palavra de Deus, é isto que tenho feito para eles, durante estes meses, alimentando o corpo e o espírito. Que o Senhor da Glória, me dê força, ilumine meu caminho e que as Palavras Dele, sejam o motivo para que nós possamos depender somente Dele.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

QUANDO A SEMENTE FOI PLANTADA...

Hoje durante a devocional em minha casa, com minha família, descobri quando a semente do SAC foi plantada. Durante uma ministração do Pr. Airton, em Outubro de 2009, estudávamos o Sermão do Monte, e Pr. Airton tratou do versículo: "Bem aventurados os que tem fome e sede de Justiça". Ali há 4 anos atrás, ouvimos e aprendemos sobre a Justiça de Deus, e aprendemos a olhar para nosso próximo com mais amor, com a justiça que o Reino de Deus exige. Obrigado Deus, porque pudemos aprender de Ti, e colocar em prática a tua vontade.

Se você quer aprender também, ouça esta ministração.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

AJUDA PARA LEVÁ-LOS AO CURSILHO


Meus queridos, estes são Jhosy e Edson, um casal que mora nas ruas. Ambos usam drogas, ela tem 2 filhos que moram com sua mãe, o mais velho tem 08 anos. Desde que os conheci venho lhes falando da necessidade de saírem desta vida, das drogas; e hoje depois de mais uma conversa com ela, pedi desculpas pelas minhas palavras ,muitas vezes duras, outras vezes confrontadoras, e muitas vezes difíceis de serem ouvidas, quando ditas por um estranho. Ela riu e me disse que minhas palavras estavam servindo como um grande incentivo para eles largarem aquela situação. Aproveitei e falei para ela do Cursilho, do quanto este poderia ser realmente um motivador para que eles conseguissem se livrar desta "vida". Bem, conversei com Pr. Airton e ele autorizou a ida deles, já consegui o pagamento da ficha de um deles e preciso de ajuda para pagar a outra, se você pode ajudar, me procure. Qualquer valor é bem vindo. Temos a certeza que esta será uma grande oportunidade para um encontro com o Senhor, e nada melhor para mudar a vida de alguém do que Ele.

CURSILHO...


Há um tempo atrás , minha querida Ester Oliveira, me deu a ideia de arrumar patrocínio para levar algum morador de rua para o Cursilho, na hora achei uma boa ideia e até me empolguei com ela, mas depois de uma reflexão fiquei imaginando o quanto seria frustrante levar alguém para o cursilho, a pessoa ter um encontro com Deus, ser impactada , querer realmente mudar e no final, teríamos que levá-la para a rua, deixá-la no mesmo lugar, apesar da mudança... levar alguém para uma clínica de reabilitação nem sempre é algo fácil, rápido... bem, hoje me surpreendi falando do cursilho para moradores de rua, primeiro prq eles tem dado abertura para a mudança, segundo prq eles tem família e com a graça de Deus espero poder no domingo, dia 08 de dezembro, entregá-los para estas família, transformados, cientes de sua pecaminosidade e desejosos de mudar, de serem transformados pelo amor de Deus, pela sua misericórdia e graça. Que estas pessoas possam participar deste evento e verem suas vidas tomadas pelo amor de Deus, e que isto lhes sirva de motivação para mudarem. Obrigado Deus, pela sua misericórdia em nossas vidas.


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

UMA BOA SEMANA, GRAÇAS A DEUS

Posso dizer que esta semana foi “normal”, dentro da proposta do S.A.C.. Ajudamos um casal de Unaí/MG, que vieram para Brasília para que a senhora fosse submetida a uma cirurgia, e eles acabaram ficando na rua; Graças a Deus puderam voltar para casa e se recuperar como ela precisa. Também ajudamos outro casal, que vieram procurar o irmão, o encontraram, mas como ele não queria voltar, acabaram ficando na rua com ele, e o dinheiro acabou, eles também puderam voltar, a despeito do irmão, que preferiu continuar na rua. Na segunda-feira, estava entregando marmitas e Michele (de quem já falei em postes anteriores: tem 18 anos, mas parece ter 15, se prostitui, usa crack e “mora” num bueiro), neste dia ele nem saiu para pegar as marmitas, tive que me agachar e entregar para ela dentro do bueiro mesmo, ela me perguntou se eu havia arrumado uma casa de recuperação para ela e quando eu disse que não, uma lágrima rolou em seu rosto, eu lhe disse para continuar firme que eu continuaria tentando (eu procurava um lugar para levá-la já há alguns dias), mas aquela lágrima mexeu muito comigo e fui até o  “Cidade Acolhedora” e lá chegando conseguiram uma vaga para ela, Graças a Deus, o problema é que só poderiam recebê-la no dia seguinte, pois só acolhiam pessoas até as 18h, naquele local. Voltei e tentei convencê-la a ir para minha casa, pois sabia que se ela continuasse na rua eu a perderia, e apesar de meus esforços, ela não quis e como imaginava, no dia seguinte não a encontrei no local e horários marcados. Depois fiquei sabendo que ela passara a noite toda usando drogas, e não teve nem forças para conseguir acordar, me disseram que naquele dia ela chorou muito pela “oportunidade perdida”, desde este dia ainda não encontrei com ela, está fugindo, talvez envergonhada. Assim tem sido nossos dias, em alguns conseguimos êxito, em outros não, mas é importante sabermos entender que não cabe a nós tirar alguém das ruas, que temos apenas plantado, mas não cabe a nós fazermos estas sementes gerarem frutos. Que Deus tenha misericórdia de nós, deste povo, do Seu povo.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

OBRIGADO SENHOR

Nestes 3 meses de criação do S.A.C., entregando marmitas pelas ruas a noite, tenho visto muita dor, medo, prostituição, raiva, brigas, fome, solidão, abandono, frio,  intolerância, doenças, choro, tristeza,  e tantas outras coisas que não consigo me lembrar ou enumerar neste momento. Diante de meus olhos, presencie muita tristeza, talvez não tenha visto alegria, senão alguns momentos de descontração, diante da marmita que por ora saciou a fome. Muitas vezes também me entristeci diante deles, outras ignorei, ou me deixei levar pela situação de não poder fazer nada... Hoje não foi diferente, encontrei tudo isto novamente, mas pelo menos o Senhor foi misericordioso, há 2 meses entregando marmitas para a galega, seu nome é Josie, hoje ela pediu para eu ligar para a família dela, disse que não agüenta mais esta vida é que espera conseguir sair em breve, conversamos muito e ela me pediu o endereço da igreja, quer ir lá no final de semana, fiquei de levá-la, espero que ela não mude de idéia  e vá. Mais tarde, encontrei com Michele, falei dela no post anterior, ela me disse que também não agüenta mais esta vida e quer ajuda para sair, vou tentar arrumar uma casa de recuperação para ela.

Obrigado Senhor, pelo consolo, pelo grande privilégio de Te Servir, e por entender que é a Tua vontade Pai, que deve dirigir a minha vida, a Sua obra.

SENHOR, TEM MISERICÓRDIA DE NÓS.

Hoje ao chegar a Ceilândia, para entregar as marmitas deparei me com Joana , ela chorava muito e disse estar com dor de cabeça, falou também que não havia almoçado. Comprei uma dipirona e deixei para ela, junto com uma garrafa de água mineral. Fui para outro ponto entregar mais marmitas e vi Michele encostada sozinha numa parede, longe dos demais que se encontravam usando drogas. Enquanto entregava as marmitas, ela se aproximou e pude ver que seu rosto estava inchado, perguntei o que houve, ela chegou mais perto e pude ver um grande arranhão em seu rosto, ela me disse que foi uma briga, perguntei-lhe se haviam mais ferimentos e ela me disse que a costa estava machucada também, ela pegou a marmita e se afastou mancando, foi se sentar novamente encostada na parede. Michele é bem franzina, diz ter 18 anos, mas aparenta uns 14 ou 15. Terminei de entregar as marmitas e fui em direção a ela, que se levantou e foi se encostar num carro que parou próximo, fiquei olhando e pude ver que ela estava com a marmita na mão, entrou no carro e foram embora, possivelmente se prostituir. Fiquei irado não com a situação, mas tudo isto aconteceu de frente a uma igreja, e o que me deixou irritado não foi o fato da igreja "não enxergar" aquilo, mas foi a lembrança de que há pouco eu também estava dentro de uma igreja aprendendo o evangelho, mas me esquecendo de vive-lo. Que O Senhor tenha misericórdia de nós, e abra nossos olhos para o seu Reino, para o Seu Evangelho, para que O Vivamos mais do que falamos.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

SEMANA ABENÇOADA

A semana passada foi muito abençoada, começamos a segunda feira levando duas pessoas para uma casa de recuperação, eram garotos que vieram de Montes Claros para Brasília e procuravam internação, estavam nas ruas com suas malas e o Senhor nos colocou no caminho deles, Obrigado Pai, por esta rica oportunidade em serví-LO. O curso de Autoconfrontação, ministrado pela Sebi, ajudou muito, através das doações e do valor arrecadado com a venda na cantina, que teve parte da sua renda revertida para o SAC, pudemos adquirir uma panela de pressão maior, compramos isopor novo, e outros acessórios para a cozinha, que já se faziam necessários, além de conseguirmos fazer um bom estoque de alimentos. A cereja do bolo, por assim dizer , foi no sábado, quando um senhor entrou na igreja para pedir ajuda, sua esposa está com câncer e ele está desempregado. Começamos a conversar, ele disse que estava afastado dos caminhos do Senhor, havia 13 anos, seu filho fora assassinado, com um tiro na cabeça e desde então, ele se afastara, não entendendo o porque "Deus havia permitido aquilo". Conversamos bastante, e ele, depois de muito chorar, se reconciliou com Deus, pediu perdão pelos seus pecados, e entendeu que sua revolta, apenas o afastava do Pai. Foi um momento de muita emoção, que culminou com o Senhor quebrantando o coração daquele homem.
Estes quase 3 meses do SAC têm sido de muito aprendizado nos caminhos de Deus, sou grato por estas oportunidades , por poder viver melhor o evangelho do Reino, que o Senhor continue nos direcionando, para que sua obra, sua vontade se cumpra na vida daqueles a quem Ele escolheu resgatar.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Uma experiência muito edificante

Estou aqui na casa do Ricardo "ajudando atrapalhando rsrsr" no preparo das marmitas para os meus irmãos. É constrangedor ver pessoas como o Ricardo e outros que conheço que tem tanto amor por essas pessoas, trás um incomodo vergonhoso que mexe com o comodismo e o conforto egoísta da minha pessoa, poderia agora por culpa na sociedade mas estaria transferindo a culpa. Como tem sido edificante para mim ver o tanto que preciso ser humilhado e sair dessa zona de conforto sem responsabilizar alguém. Fazer o que o meu Senhor e Redentor mandou: "ser sal da terra e luz do mundo". Espero que esse seja apenas o inicio do meu "desconforto edificante" para a gloria do nome do meu Senhor e Salvador. Fabiano Vinicius (Vinicius Montenegro)

ANA VITÓRIA



Pessoal, esta é a Ana Vitória, tem 8 dias de nascida. Mora com os pais próximo a estação do metro da guariroba, ao lado do polo da UnB em Ceilândia. ontem a noite ganhei 3 cestas básicas de um irmão, que as levou na igreja. Já tinha distribuído as marmitas na Ceilândia e resolvi levar as cestas neste local, quando cheguei fui surpreendido com esta pequena, e com mais 10 pessoas morando lá. Hoje comprei um kit higiênico e levei para eles (banheira, sabonete, toalha, etc.). Se você puder ajudar com alguma coisa, será bem vindo. Que Deus abençoe a todos.


sábado, 12 de outubro de 2013

PARTICULARIDADES...

Este foi  o cardápio de ontem do SAC: arroz, feijão, macarrão com molho de salsicha e uma seleta de legumes (milho, batata, beterraba, chuchu e cenoura), foram entregues 55 marmitas, parte na igreja e o restante na Ceilândia, atrás do supermercado Tatico. 
Foram usados: 03kg de salsicha, 05kg de arroz, 02kg de feijão, 02kg de macarrão, 02 kg de milho, 02 kg de batata, 02kg de beterraba e 01kg de chuchu.(além de óleo de soja, tempero, cheiro verde e outros condimentos.

Nesta barraca, o pessoal estava com tanto frio que nem saiu para pegar as marmitas, pediram para eu entregar lá dentro. Um dos rapazes pediu para eu deixar uma marmita a mais, como ele estava com dor nos rins, estava tomando remédio e não estava bebendo, então ele disse que a falta da bebida evidenciava a fome durante a madrugada, então, com esta marmita extra ele comeria de madrugada. Esta "barraca" está montada ao lado da estação do metrô de Ceilândia Centro, a esquerda fica o prédio da futura sede da SEBI.


Esta é a Joana, ela "mora" atrás do Supermercado Tatico, na Ceilândia, ela sempre pede duas marmitas, uma para comer a noite e a outra, ela guarda para almoçar no dia seguinte, ela sempre diz que a comida não estraga e "continua bem gostosa".
Apesar da idade, como a maioria dos outros moradores de rua, ela usa crack. Ela sempre procura ser carinhosa, dizendo que me ama, e ser grata a Deus pelo nosso trabalho.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

LIXO

Nos últimos 15 dias, por duas vezes a administração da Ceilândia removeu as “casas” dos moradores de rua, atrás do tático e próximo a estação do metrô de Ceilândia Centro; Ontem, a administração de Taguatinga, junto com a Polícia Civil e Polícia Militar, também removeu “as casas” daquele pessoal que “mora” próximo da igreja. Nos dois casos, eles voltaram para o mesmo lugar, e nas palavras de um deles: “eles levaram nosso lixo, logo a gente junta mais e tudo volta a ser como era antes, até que eles venham novamente, eu é que não vou brigar por causa de lixo”. Somente jogar o lixo fora não resolve, o governo precisa fazer algo com as pessoas, com o material humano, que vive de maneira desumana no meio de tanto lixo, caso contrário, além de continuar ali, vão se multiplicando, cada vez mais.
Talvez eu também não gostaria de ter estas pessoas “morando” perto de mim, também  me sentiria enojado pelo seu cheiro fétido, sua aparência maltrapilha, não iria gostar de vê-los usando drogas, bebendo cachaça, eu também me sentiria incomodado com tudo isto. O que vamos fazer então, ou melhor, o que podemos fazer? Eu realmente não sei, não sei como acabar com este problema, não tenho a solução, mas sei que podemos fazer alguma coisa, podemos minimizar o problema, tratando estas pessoas com respeito, com educação, com carinho até, porque eles também são seres humanos, o meu próximo. Quando estou entregando comida para eles, invariavelmente estou vestindo a camisa com gola clerical, eles me tratam com tanto respeito, com reverência; lembro uma vez que cheguei num barraco, chamei e ofereci comida, saiu de lá uma mocinha vestindo apenas um short e um pedaço de pano amarrado cobrindo os seios, eu entreguei a marmita e disse a ela que faria aquilo todos os dias, no dia seguinte quando cheguei, ela estava  vestida de maneira decente e me disse que no dia anterior havia ficado com vergonha de mim , pela maneira que estava vestida. Mal sabem eles que eu também sou fétido por dentro, meu coração é nojento, pecaminoso; talvez, se soubessem destas coisas, se pudessem ver como sou por dentro, eles também não iriam me querer por perto. Que o Senhor tenha misericórdia de nós, pecadores, e nos traga consolo e alento diante deste mundo.

Creio que o Senhor precisa alcançar estas pessoas, só assim vão conseguir sair desta vida, deste lixo, das drogas, das bebidas. Só assim eles conseguirão se libertar, não desta vida, deste mundo, mas daquilo que nos espera, na eternidade.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

DEIXA PRÁ DEPOIS...

É engraçado como estas pessoas tratam suas vidas, como elas lidam com seu vício. Tenho conversado com vários, na medida do possível, tento falar sobre seu vício, sua vida nas ruas. A grande maioria tem planos para sair desta situação, parece até que estão fazendo planos para começar uma dieta, sempre na segunda feira. Dia destes conversei com a “galega”, jovem bonita, simpática, parece ser uma pessoa com certa cultura; a família mora em Taguatinga, eles ainda não conhecem seu marido, que mora na rua com ela e também é usuário de drogas, mas “ela sabe que eles vão aceitá-lo”. Era quinta feira e ela me disse que a partir da próxima segunda sairia daquela vida, “com fé em deus” disse ela, nestes dias que antecederiam aquela segunda ela tentaria impulsionar o “marido” a fazer o mesmo.

Ontem entreguei  comida para um senhor, que tem algum problema nas pernas, pois anda de muletas, ele me disse que a partir do dia 15 iria para uma casa de recuperação, já estava tudo combinado com um outro rapaz, perguntei se ele queria ir logo, hoje, e ele respondeu negativamente,  primeiro precisava pagar umas contas. Enquanto conversava com ele um rapaz se aproximou, enrolando nas mãos um cigarro de maconha e querendo saber:  “ a casa de recuperação pra onde ce manda as pessoas dá uma profissão pra elas?”  Eu respondi que quem vai para um lugar destes, primeiro tem que tratar do vício, largar as drogas, depois tem que pensar no futuro, lá não é lugar para arrumar profissão.  Conversamos uns 15 minutos e ele disse que não tinha dinheiro para arrumar a certidão de nascimento dele, que era o que faltava para ele começar a trabalhar, então perguntei como é que ele tinha dinheiro para as drogas e não tinha para os documentos, ele apenas riu e deu de ombros, falou que ia pensar sobre ir para uma casa de recuperação. Neste mesmo dia encontrei “Poliana” , que disse que a partir do seu aniversário mudará de vida, perguntei porque esperar, se não tinha algo que a faria ir logo, ela disse que o filho, que tem nove anos, não quer ele nesta vida, (o menino mora com a sogra, o pai do garoto está preso na papuda) mas em nome de Jesus o menino não vai cair nesta vida.Tem sido assim nestes momentos,  todo mundo que está nas drogas quer  sair, eles apenas não tem força para conseguir, eles precisam reconhecer que necessitam de ajuda, necessitam de Deus em suas vidas, caso contrário, eles continuarão esperando, planejando, até que seja tarde demais.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

LIXO

Vi ontem um bicho
Na imundice do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem

Manuel Bandeira

 Caro irmão Ricardo Barbosa, li esse poema e lembrei desse trabalho tão bonito que vocês estão fazendo de distribuição de marmitas e pregação da palavra de Deus. Muitas vezes nós olhamos pra essas pessoas que estão na rua, como se não fossem importantes, mas tenho aprendido a entender que elas não devem ser vistas como inferiores, mas sim um ser humano igualzinho a mim. E se muitas delas estão fedendo por fora, outras que parecem tão vistosas por fora, por dentro são sepulcros caiados, fedidos. Peço a Deus que eu aprenda a dar valor ao que Cristo valoriza, que são as pessoas, o amor ao próximo. Esse trabalho da igreja tem mexido profundamente com meus valores