O pessoal da ‘New York City Rescue Mission’, uma instituição que trabalha em favor dos desabrigados em Nova York, tiveram uma ideia bastante interessante para mostrar como os sem tetos acabam se tornando invisíveis aos olhos de outras pessoas. Na ação foram convidadas algumas pessoas para que se vestissem como mendigos e se sentassem nos locais onde passam seus parentes (pai, mãe, irmão, tio...), e por comprovação nenhuma dessas pessoas chegou ser reconhecida.
Hoje ao chegar a Ceilândia, para entregar as marmitas deparei me com Joana , ela chorava muito e disse estar com dor de cabeça, falou também que não havia almoçado. Comprei uma dipirona e deixei para ela, junto com uma garrafa de água mineral. Fui para outro ponto entregar mais marmitas e vi Michele encostada sozinha numa parede, longe dos demais que se encontravam usando drogas. Enquanto entregava as marmitas, ela se aproximou e pude ver que seu rosto estava inchado, perguntei o que houve, ela chegou mais perto e pude ver um grande arranhão em seu rosto, ela me disse que foi uma briga, perguntei-lhe se haviam mais ferimentos e ela me disse que a costa estava machucada também, ela pegou a marmita e se afastou mancando, foi se sentar novamente encostada na parede. Michele é bem franzina, diz ter 18 anos, mas aparenta uns 14 ou 15. Terminei de entregar as marmitas e fui em direção a ela, que se levantou e foi se encostar num carro que parou próximo, fiquei olhando e pude ver que ela estava com a marmita na mão, entrou no carro e foram embora, possivelmente se prostituir. Fiquei irado não com a situação, mas tudo isto aconteceu de frente a uma igreja, e o que me deixou irritado não foi o fato da igreja "não enxergar" aquilo, mas foi a lembrança de que há pouco eu também estava dentro de uma igreja aprendendo o evangelho, mas me esquecendo de vive-lo. Que O Senhor tenha misericórdia de nós, e abra nossos olhos para o seu Reino, para o Seu Evangelho, para que O Vivamos mais do que falamos.
